Produtos até R$ 100 são os mais vendidos nos marketplaces

 Produtos até R$ 100 são os mais vendidos nos marketplaces

Fim da isenção do imposto de importação para produtos até US$ 50, prestes a ser votado no Senado, é considerado um pequeno alívio para indústria e varejo brasileiros, segundo especialistas do Comitê de Avaliação de Conjuntura da ACSP.

Pesquisa da empresa de dados Big Data Corp sobre o “Perfil do E-commerce Brasileiro” confirma o gosto dos consumidores por produtos de menor custo: 76% dos produtos mais vendidos nas lojas virtuais, alocadas em marketplaces nacionais e internacionais, custam até R$ 100. 

Os dados foram apresentados por um especialista em comércio eletrônico na última reunião do Comitê de Avaliação de Conjuntura da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A pedido da entidade, os nomes dos participantes desta reunião não são divulgados.

Em boa medida, essas compras de menor valor foram impulsionadas pela isenção do Imposto de Importação para itens até US$ 50, benefício previsto no Programa Remessa Conforme.

A isenção, entretanto, deve ser revista pelo Senado ainda nesta semana. A expectativa é que o Imposto de Importação para esses itens passe a ter alíquota de 20% – medida nomeada de “taxa da blusinha”. 

A medida atende, em parte, demandas do comércio e da indústria nacionais, que reivindicam isonomia tributária com as plataformas junto ao governo federal para manter a competitividade. Um representante da indústria presente à reunião da ACSP disse que considera a taxação em 20% “insuficiente”, mas que já pode sinalizar melhora no ambiente de negócios.  

Ele citou casos pitorescos, porém recorrentes, como a prática de entregar um pé de calçado a US$ 49, e outro pé do mesmo calçado também a US$ 49 – uma tática para “desviar” da taxação. Também mencionou a entrega de produtos chineses em 24 horas ou menos.

“Ninguém produz, nem distribui, nem traz da China um produto para cá em 24 horas. Eles já estão aqui, acomodados em armazéns alfandegados, pagando imposto barato ou não pagando nada. É uma injustiça: ou taxa todo mundo, ou não taxa ninguém”, disse. “Taxar os US$ 50 não melhora muito, só um pedacinho, mas de pouco em pouco o empresário continua vivo.”

De acordo com um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ideal mesmo seria reestabelecer a alíquota de 60% em tributos federais sobre importações, no Programa Remessa Conforme, para promover isonomia tributária entre operações dos marketplaces estrangeiros (B2C) e o mercado nacional. 

CADA VEZ MAIS SELLERS

Os marketplaces continuam em destaque no e-commerce brasileiro, e o forte crescimento no número de sellers (vendedores) dá uma ideia disso, segundo outro recorte do estudo da Big Data Corp apresentada pelo especialista do setor na reunião de Conjuntura da ACSP. 

A pesquisa, que foi realizada com 20 milhões de sites brasileiros, aponta que o número de lojas virtuais também cresceu 17,14%, chegando a mais de 2,2 milhões. “São vendedores individuais, pequenas empresas e grandes, que vendem pelo canal internet”, disse. 

Já o número de e-commerces presentes em pelo menos um marketplace teve um aumento de 61% nos últimos dois anos, subindo de 14,8% para 23,8%. Ou seja, a cada quatro lojas virtuais, uma está sediada em um marketplace.

“As plataformas estão ganhando cada vez mais relevância, fazendo investimentos e caminhando para a consolidação, como é o caso do Mercado Livre, com a Americanas diminuindo de tamanho, e o Magazine Luiza.”

Outro recorte aponta que a grande maioria é de empreendedores de médio e pequeno porte (faturamento até R$ 5 milhões): as empresas que têm faturamento mais elevado hoje representam apenas 2,86% do total. 

“Um destaque notável é o número de empreendedores que vão para a iniciativa privada, viram ‘S/A’ fazendo vendas através dos marketplaces”, afirmou. “Mesmo assim, há mais de 50 mil lojas que fazem parte do seleto grupo com faturamento bem acima desse padrão.”

A pesquisa também mostrou redução no número de vendedores que têm loja física e loja on-line: de 19% para 16,5% – ou seja, estão apostando mais no canal virtual, destacou. Desse total de sellers, 76,12% são empresas familiares, e 86% têm menos de 10 funcionários. 

O especialista citou ainda dados da consultoria americana e-Marketeer, que mostram que hoje o e-commerce brasileiro representa 12,1% das vendas do varejo restrito (exclui automóveis e materiais de construção), e ocupa a 9ª posição entre os 28 principais mercados de e-commerce no mundo, à frente da Argentina, Espanha, França e Alemanha, por exemplo.

Ele lembrou que a consultoria também fez uma análise sobre as expectativas para as vendas on-line no Brasil entre 2021 e 2027: elas devem dobrar, colocando o país na 8ª posição do ranking das nações que mais vendem pelo e-commerce mundialmente. 

“A expectativa é que o setor alcance R$ 320 bilhões em vendas até no Brasil em 2027. Só para se ter uma ideia, em 2023 elas chegaram perto dos R$ 200 bilhões, e isso levará o país a se tornar o 5º em número de compradores digitais em termos de penetração mundialmente.” 

IMAGEM: Reprodução