Inflação oficial de abril fica em 0,38%, aponta IBGE

 Inflação oficial de abril fica em 0,38%, aponta IBGE

Foi o melhor resultado para o mês desde 2021. O IPCA acumulado em 12 meses está em 3,69%

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou abril com alta de 0,38%, ante um avanço de 0,16% em março, informou nesta sexta-feira, 10/5, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta de 0,38% foi o resultado mais baixo para o mês de abril desde 2021, quando ficou em 0,31%. Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses arrefeceu pelo sétimo mês consecutivo, passando de 3,93% em março para 3,69% em abril, a mais baixa desde junho de 2023, quando estava em 3,16%.

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2024 é de 3,0%, com teto de tolerância de 4,50%.

PRINCIPAIS INFLUÊNCIAS

A alta de 1,50% na gasolina exerceu a maior pressão sobre a inflação de abril, uma contribuição de 0,08 ponto porcentual (p.p.) para a taxa de 0,38% registrada no mês pelo IPCA.

Figuraram ainda no ranking de maiores pressões sobre o IPCA de abril o tomate (0,04 ponto porcentual), cebola (0,03 p.p.), plano de saúde (0,03 p.p.) e mamão (0,03 p.p.).

Na direção oposta, os principais alívios partiram da passagem aérea (-0,08 p.p.), energia elétrica residencial (-0,02 p.p.) e arroz (-0,02 p.p.).

ALIMENTAÇÃO

Os preços do grupo Alimentação e Bebidas aumentaram 0,70% em abril, após alta de 0,53% em março. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,15 ponto porcentual para o IPCA no mês.

Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve alta de 0,81% em abril, após ter avançado 0,59% no mês anterior.

A alimentação fora do domicílio subiu 0,39%, ante alta de 0,35% em março.

O cálculo do impacto de cada grupo no IPCA se baseia na variação mensal e no peso mensal disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra).

TRANSPORTES

Os preços do grupo Transportes subiram 0,14% em abril, após queda de 0,33% em março. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,03 ponto porcentual para o IPCA no mês.

Os preços de combustíveis tiveram alta de 1,74% em abril, após avanço de 0,17% no mês anterior.

A gasolina subiu 1,50%, após ter registrado alta de 0,21% em março, enquanto o etanol avançou 4,56% nesta leitura, após alta de 0,55% na última.

SAÚDE

As famílias brasileiras gastaram 1,16% a mais com Saúde e Cuidados Pessoais em abril, uma contribuição de 0,15 ponto porcentual para a taxa de 0,38% registrada pelo IPCA no mês.

O avanço foi influenciado por reajustes do plano de saúde (0,76%, impacto de 0,03 ponto porcentual), mas, sobretudo, dos produtos farmacêuticos. Em decorrência da autorização do reajuste de até 4,50% nos preços dos medicamentos, a partir de 31 de março, os produtos farmacêuticos aumentaram 2,84% em abril, uma contribuição de 0,10 ponto porcentual para o IPCA.

Os destaques foram as altas do antidiabético (4,19%), do anti-infeccioso e antibiótico (3,49%) e do hipotensor e hipocolesterolêmico (3,34%).

HABITAÇÃO

O grupo Habitação registrou preços 0,01% menores em abril, uma contribuição nula (0,00 ponto porcentual) para o IPCA no mês.

A energia elétrica recuou 0,46%, uma contribuição negativa de 0,02 ponto porcentual no IPCA. Houve reajustes tarifários em Salvador, de 1,63%, a partir de 22 de abril; em Aracaju, reajuste de 1,26%, a partir de 22 de abril; no Rio de Janeiro, reajustes de 3,84%, a partir de 15 de março, e de 2,76%, a partir de 19 de março, nas duas concessionárias pesquisadas; no Recife, reajuste de -2,64% a partir de 29 de abril; em Campo Grande, reajuste de -1,17%, a partir de 08 de abril; e em Fortaleza, reajuste de -2,92%, a partir de 22 de abril.

Segundo André Almeida, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, a energia elétrica registrou reajustes positivos e negativos em diferentes áreas pesquisadas em abril, mas houve influência também de variações em impostos que incidem sobre a conta de luz. Houve um aumento de INSS localizado em uma região, mas queda de PIS/Cofins em diferentes áreas investigadas.

“Teve queda de PIS/Cofins em diversas áreas da pesquisa, o que contribui para a queda na média do Brasil”, disse Almeida.

Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,09%, influenciada pelo reajuste de 1,95% em Goiânia a partir de 1º de abril.

*atualizada às 14h

IMAGEM: Fábio d’ Castro/DC