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10 de setembro de 2018

Alta na renda das famílias eleva confiança do consumidor e faz número de famílias endividadas aumentar


Estudo mostra que aumento dos rendimentos interrompeu ciclo recessivo do consumo; inadimplência também teve alta

Após o encolhimento da renda ao longo da recessão econômica que atingiu o País entre 2014 e 2016, o  o rendimento total das famílias brasileiras  aumentou no ano passado. Em dezembro de 2017, esse valor era de R$ 277,9 bilhões no mês, alta real de 5,5% em relação aos R$ 263,3 bilhões apurados em dezembro de 2015.  Considerando a elevação de 1,6% no número total de famílias nesse mesmo período, a renda média mensal familiar passou de R$ 4.250,37 para R$ 4.416,95, elevação de 3,9%.

Os dados compõem a oitava edição da Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O estudo avalia os principais aspectos, dimensões e efeitos da política de crédito no Brasil sobre as famílias entre 2015 e 2017. A análise foi feita com base em informações do Banco Central do Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo a FecomercioSP, a combinação de três fatores explica essa recomposição da renda. O primeiro deles é a forte queda da inflação no período, que passou de 10,67% em 2015 para 2,95% em 2017, produzindo o chamado efeito-renda, que ocorre quando os salários são reajustados por uma taxa passada muito acima da inflação corrente. O segundo é o avanço na taxa de ocupação, ainda que de forma bastante gradual e concentrada no mercado informal, após um período de elevação abrupta do desemprego e, finalmente, o aumento na massa de rendimentos dos aposentados, pela combinação da elevação dos inativos e do aumento do benefício médio.

Essa alta na renda das famílias foi decisiva para a mudança na trajetória do ritmo das atividades internas, permitindo a interrupção do ciclo recessivo do consumo iniciado em 2014 e alavancando o nível de confiança das famílias, fator essencial para a retomada que se observou nas operações de crédito no país. Assim, a proporção de famílias endividadas no conjunto das capitais brasileiras passou de 59% em dezembro de 2016 para 62,2% no final de 2017. Isso significa um aumento de 540 mil no número de famílias com algum tipo de dívida, alcançando 9,7 milhões em dezembro do ano passado.

A parcela de famílias com alguma conta em atraso também subiu nesse período, de 24% no fim de 2016 para 25,7% em dezembro de 2017. Entretanto, a elevação da renda no período permitiu que, mesmo com essas altas no endividamento e na inadimplência, o comprometimento mensal da renda com dívidas se mantivesse estável entre 2016 e 2017, na casa de 30%. Esse número permaneceu estatisticamente estável pelo sétimo ano consecutivo, aponta o estudo da FecomercioSP.

Ainda de acordo com a Entidade, a manutenção do patamar conservador de comprometimento da renda com dívidas fez com que o nível de inadimplência permanecesse em patamares aceitáveis.

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